terça-feira, 29 de abril de 2008

O valor da Oração

OS BRAÇOS ESTENDIDOS

Este texto extraído do livro " O Rosto de meu irmão" do hindu D.G.Mukerji, ressalta de uma maneira belíssima o poder e eficácia da oração. Vamos ao texto e comprove o que estou dizendo...

No fim de sua vida, um santo homem, para melhor encontrar a Deus retirou-se para uma gruta, na montanha. Os camponeses dos arredores não deixavam de fazer com que lhe levassem frutas e bolachas e às vezes subiam até ele. Os jovens protestavam contra essas generosidades para com um homem inútil. Mas os anciãos faziam calar esses jovens racionalis­tas: "É preciso enviar donativo a um homem santo, quer viva ou não para o bem de alguém. A santidade não é a jóia da existência?"
Um dia, ao final de vinte anos, ele foi encontrado estendido morto na ­entrada da gruta. Seis semanas depois, cometeu-se na aldeia um crime horrível. A população ficou desgostosa e com medo. Os anciãos foram jejuar e rezar. De repente, um deles gritou: "Descobri o segredo". E explicou perante os camponeses reunidos: "É verdade que o santo homem, durante todo o tempo em que viveu na sua gruta, nunca levantou um dedo para ajudar-nos, nem socorreu a um miserável ou cuidou de um doente. Mas a virtude gerava a virtude, a vida produzia uma vida melhor. Tudo corria bem entre nós. Ninguém matou o seu irmão enquanto o santo viveu. A pista não está clara? Nunca trabalhou por nós, mas a sua presença de leão afastava de nossas portas o lobo da desgraça".

Esta narração leva-nos irresistivelmente a pensar numa grande página da Bíblia, que se lê no caprtulo 17 do êxodo: "Os Amalecitas apareceram e atacaram Israel, em Refidim. Josué, seguindo as instruções de Moisés, saiu para combater Amalec. Moisés, Aarão e Hur tinham subido ao cimo da colina. Ora, enquanto Moisés mantinha os braços levantados (para a oração), Israel vencia. Quando ele os deixava cair, a vantagem era de Amalec. Como os braços de Molsés estivessem entorpecidos, Aarão e Hur buscaram uma pedra e colocaram-na debaixo dele. Sentou-se nela enquanto eles lhe sustentavam os braços, um dum lado, o outro do outro. Assim os braços de Moisés não se dobraram mais até o pôr-do-sol. E Josué dizimou Ama/ec e sua gente ao fio da espada".
Os soldados de Amalec não compreendem que força se opõe aos seus ataques impetuosos. O exército dos Hebreus, mal treinado e pouco numeroso, não basta para explicar esta resistência... Os amalecitas não duvidam que aquele homem que mal se vê lá em cima, no cimo da colina, ainda bem mais desarmado do que as suas tropas, é a causa da derrota daqueles. Porque ele reza, Deus está presente nele. E a onipotência divina, que emana dele, fortifica os seus homens no combate, protege-os; como que com uma muralha invisível e inviolável.
As duas narrativas, que acabamos de ler, só adquirem todo o seu sentido à luz duma página do Evangelho. Numa outra colina, um outro Homem, também estende os braços, sustentados por dois cravos. E d`Ele irradia a Força divina sobre o mundo: no tempo e no espaço, nada escapa a esta Força. Ela sustenta, nos combates dele, todos os que se lhe abrem, entregando-se a Ela. Neles Ela age poderosamente e por eles mantém o respeito dos demônios e de seus cúmplices.
Se a oração de Moisés, e até a do santo homem da índia, foram efi­cazes, foi porque do Calvário Ihes vinha a Força, que invocavam sem conhecê-Ia. Se a oração dos cristãos é poderosa é por ligar-se à fonte inesgotável da energia divina que é o coração do Crucificado, rezando a sua grande oração de Filho.
Do Livro Cem cartas sobre a Oração

2 comentários:

Vida Contemplativa disse...

PARABÉNS!!!!!!!!!!!
Ficou tudo lindo!!!!!!Adorei as fotos e os textos!!!!!!!!!

elainevinhal disse...

obrigada por serem para nós o leão que afasta de nossas portas o lobo da desgraça.
continuem orando por todos nós!
Elaine.